Relatório de monitoramento
No arco Cobaias da Inovação, os Auditossauros investigam uma prática antiga, resistente e curiosamente moderna. A gestão que acredita que método vira humanidade só porque ganhou nome em inglês. Aqui, toda técnica chega como avanço civilizatório, mas termina aplicada como experimento em gente de verdade, com prazo, cobrança e discurso motivacional no pacote.
Neste episódio, revisitamos o clássico Sanduíche de Feedback, uma iguaria gerencial servida há décadas nas Organizações Tabajara. A promessa é equilíbrio, empatia e desenvolvimento. A execução costuma ser pão, pancada e pão. Tudo muito nutritivo no PowerPoint.
O gestor explica com orgulho o método. Começa elogiando a fonte do e-mail, passa pelo recheio estratégico onde o colaborador descobre que será substituído por um script em Python e encerra com um comentário elegante sobre as meias. O resultado é previsível. Confusão emocional, dúvida existencial e a sensação reconfortante de que a empresa valoriza muito você. Principalmente enquanto você mastiga em silêncio.
A sátira funciona porque expõe um vício organizacional real. Em vez de tratar a conversa difícil com clareza e responsabilidade, recorre-se a uma arquitetura verbal que mistura afago e ameaça para amortecer impacto sem enfrentar a substância. O colaborador sai da sala sem saber se foi reconhecido, advertido ou embalado para descarte.
Ria, porque é engraçado. Reconheça, porque é familiar. E observe com atenção, porque amanhã pode ter sanduíche de novo. Em muitos ambientes, o problema nunca foi falta de feedback. Foi excesso de técnica e escassez de honestidade.
E na sua empresa? O feedback está servindo para desenvolver com clareza ou apenas para suavizar o impacto de decisões já tomadas?
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